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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lição 7: A Atualidade dos Conselhos Paulinos (Subsídio Exegético); Por: Cleiton Medeiros


Lição 7: A Atualidade dos Conselhos Paulinos (Subsídio Exegético)







Resta, irmãos meus, que vos regozijeis (χαίρετε) no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.

Filipenses 3.1

domingo, 4 de agosto de 2013

Lição 6: A fidelidade dos obreiros do Senhor (Subsídio Exegético); Por: Cleiton Medeiros


Lição 6: A fidelidade dos obreiros do Senhor (Subsídio Exegético)

 

 


E espero, no Senhor Jesus, que em breve vos mandarei (πέμψαι) Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios.

A este, pois, espero enviar (πέμψαι) logo que eu tenha visto como há de ser o meu caso;

Julguei, contudo, necessário mandar (πέμψαι)-vos Epafrodito, meu irmão (ἀδελφόν), e cooperador (συνεργόν), e companheiro (συστρατιώτην) nos combates, e vosso enviado (ἀπόστολον) para prover às minhas necessidades;

Por isso, vo-lo enviei (ἔπεμψα) mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza.

 

 

Filipenses 2.19,23,25,28

 

No presente artigo, separamos algumas palavras que expressam o serviço de Timóteo e Epafrodito, inclusive uma delas, “apóstolo” (ὁ ἀπóστολος), a qual traz certa polêmica e até confusão no círculo cristão porque poucos conhecerem seu sentido. Portanto, atualmente, notamos alguns se autointitulado apóstolos e outros limitando ou, simplesmente, desprezando o uso do termo. Todavia, é importante nos situarmos em relação ao uso das palavras aqui destacadas para não incorremos em vãs discussões e demonstrar, aqueles que se colocam acima dos outros, a verdadeira função daquele que é cooperador, companheiro e apóstolo.

Comecemos com a palavra que aparece com mais frequência entre os versículos que separamos:

 

Πέμπω (pempô): na versão ARC, este verbo grego é traduzido pelo seu sentido mais básico, sem deixar a desejar. Seu significado é mandar (não no sentido de dar uma ordem em si), enviar. Aparece na conjugação aoristo infinitivo πέμψαι (pempsai) e no aoristo passivo ἔπεμψα (epempsa).

 

Ὁ ἀπόστολος (ho apóstolos): o significado do termo que é bem simples: delegado, enviado, mensageiro, despachado. Porém, apesar de ser simples, gira certa polêmica em torno dela. No entanto, não examinaremos minuciosamente versículo por versículo. Abordaremos superficialmente para que tenhamos apenas uma impressão do que tal palavra pode expressar dentro da Bíblia. Tanto Timóteo, quanto Epafrodito, entre outros, eram apóstolos no sentido que chamado de lato (I Ts 1.1;2.6,7; Fp 2.25), se é que havia tal distinção  entre os irmãos/apóstolos da igreja emergente. O próprio Jesus foi enviado (aoristo de ἀποστέλλω - apostéllô) por Deus (Jo 3.17).

Vejamos o que diz uma nota do versículo um, capítulo um, da Carta aos Romanos na BJ:

 

“Este título, de origem judaica, que significa “enviado”(...), no NT ora é aplicado aos Doze discípulos escolhidos por Cristo (...), ora em sentido mais lato, aos missionários do Evangelho (...). Não obstante Paulo não tenha sido incorporado ao grupo dos Doze, é apóstolo singular porque Cristo ressuscitado o enviou aos pagãos (...) que em nada fica devendo aos Doze...” (BJ, p. 1995).

 

 Alguns tentam separar o sentido da palavra apóstolo de missionário. Temos que lembrar que o termo “missionário” tem sua origem no latim. O uso do latim impera na igreja a partir do período que denominamos “Idade Média”. O engraçado, é que alguns grupos, que muitas vezes falam contra o uso da Teologia na igreja, tem procurado sistematizar uma doutrina bíblica, teologizar em torno do termo “missionário” a parte da palavra apóstolo. Não sou contra o uso da palavra missionário. Mas, biblicamente falando, não podemos isolar um termo do outro como tentam alguns ao afirmar que Paulo tinha os dois dons, o de apóstolo e o de missionário.

Na nota da Bíblia de Jerusalém podemos ter uma noção da função apostólica em seu sentido lato.  A palavra apóstolo é a melhor palavra para exprimir a nossa ideia de missões ou apostolado.

 

 

Ὁ συνεργός (ho synergós): cooperador, cobreiro, trabalhar com, ajudador. Timóteo e Epafrodito são assim chamados por Paulo (Rm 16.21; Fp 2.25). Na obra do Senhor não existe alguém que trabalhe isoladamente do outro, pelo contrário, precisamos um do outro para que o Senhor realize sua obra em nós e através de nós. Interessante é que no trabalho em Deus, Paulo, não considera Timóteo e Epafrodito apenas membros, sócios ou afiliados da igreja, mas irmãos (I Ts 3.2; Fp 2.25). O Espírito Santo revela através das palavras de Paulo, o relacionamento que temos que ter com nossos companheiros de lutas. O amor fraternal tem que estar presente em nossos corações ao ponto de considerar quem está ao nosso lado um irmão.

 

Ὁ συστρατιώτης (ho systratiôtês): literalmente co-soldado; porém algumas versões trazem companheiro de lutas, companheiro de armas e alguns traduzem como companheiro de farda. Quem entende um pouco de militarismo sabe que em combate dependemos um do outro para sobreviver e vencer. Epafrodito estava ao lado de Paulo em uma luta que ambos não podiam ignorar a necessidade de ajuda do outro. Paulo precisava dos recursos trazidos por Epafrodito e este precisou do apoio do apóstolo quando esteve enfermo.  A baixa de um soldado no campo de batalha acarreta em tristeza, sobrecarga, mais atenção, menos tempo de descanso e, até, nos deixa mais vulneráveis, pois ficamos sem a cobertura necessária em uma investida.

 

 

Ir. Cleiton Medeiros

terça-feira, 23 de julho de 2013

Lição 4: Jesus, o Modelo Ideal de Humildade (Subsídio Exegético); Por: Cleiton Medeiros


Lição 4: Jesus, o Modelo Ideal de Humildade (Subsídio Exegético)

 

 

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz.

Filipenses 2.8

Ἐταπείνωσεν (etapeinôsen)

 

 O maior exemplo de humildade a ser seguido nos Escritos Sagrados é o do nosso Senhor Jesus Cristo que “sendo rico, se fez pobre (...) para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos” (II Co 8.9 - NVI), o qual Paulo imitou (I Co 11.1). Na epístola destinada aos Filipenses vamos perceber a imitação de Paulo. Da maneira que Cristo não levou em consideração que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, Paulo não levou em consideração que o ser humano sem Deus, voltado apenas para as suas paixões, anseios e prazeres era algo a que devia apegar-se. Em Fp 3.8 podemos entender melhor até que ponto estava disposto a desapegar-se de tudo para ganhar a Cristo (Fp 3.8).

Na exegese da palavra “humilhou” perceberemos a profundidade da postura assumida por Jesus, imitada por Paulo e a qual somos exortados a assumir. Vejamos: Ἐταπείνωσεν é a conjugação aoristo do verbo ταπεινόω (tapeinoô) que significa estar abaixo de, rebaixar, trazer para baixo, nivelar, reduzir ao plano, deprimir, abater, tornar baixo, aviltar, humilhar; literalmente aplanar (Lc 3.5 - e se “abaixará” todo monte e outeiro, ARC; e todas as montanhas e colinas, “niveladas”, NVI); em linguagem figurada humilhar (cf Mt 23.12), pode envolver a condição ou o coração do homem; num bom sentido teremos humilhar, tornar humilde (Mt 18.4; Tg 4.10) e; na forma passiva, disciplinar-se ( Fp 4.2 – sei “estar abatido”/ARC = literalmente “ser abaixado”). Em Filipenses 4.12, Rusconi (2011), expõe a seguinte possível tradução: “viver na humildade, na pobreza”.

A conjugação do verbo no aoristo denota algo que aconteceu no passado, porém não especifica sua duração nem a maneira que acontece; enxerga o acontecimento como um todo, por isso é difícil definir o acontecimento como algo acabado ou fechado. O próprio termo aoristo significa “delimitado”, “não definido”.

O grupo de palavras ao qual ταπεινόω faz parte ocorre 34 vezes no NT e na LXX 270 vezes; sendo que na missiva em estudo, estão 4 ocorrências (Fp 2.3, 8; 3.21; 4.12) . Para compreendermos ainda melhor, Cristo, abriu mão das “riquezas da sua glória” (Ef 3.16) para tornar-se homem, para nos alcançar. Ele se nivelou ao homem, se rebaixou. Na missiva escrita para os irmãos de Filipos, Paulo nos ensina a abrir mão de nossas riquezas, da nossa glória humana, carnal. E ele, Paulo, se colocou como exemplo de abnegação. Paulo estava pronto para ser nivelado a Cristo, rebaixar-se, descendo das suas ambições, dos seus desejos, das suas vontades, dos seus planos, da sua posição social, dos seus títulos; considerando-os “como esterco” (Fp 3.8 –NVI).

Lembrem que o homem tem glória “Pois, toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória, como a flor da relva; a relva murcha e cai a sua flor” (I Pe 1.24). A glória humana, obiviamente, não se compara com a de Deus, mas existe. Porém, podemos comungar da glória de Deus em Cristo.

Veja o que diz o nosso Mestre: “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.21). Nosso tesouro pode ser várias coisas, porém o melhor é que seja Jesus Cristo, assim, como, para Paulo, foi Jesus. Ainda no Sl 16.2  Ao Senhor declaro: Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti”. Espero que um dia tal verso faça parte da vida de todos aqueles que confessam o Santo nome de Jesus.

 

Ir. Cleiton Medeiros

 

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Bibliografia:

 

o   LUZ, Waldir Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2003.

o   GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento. São Paulo, SP: Vida Nova, 2007.

o   RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. 4ª ed. São Paulo, Sp: Paulus, 2011.

o   VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JUNIOR, William. Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 1ª ed. brasileira Rio de Janeiro, Rj: Cpad, 2002.

o   NVI.Bíblia: Nova Versão Internacional. São Paulo, SP: Vida, 2000.

o   SOARES, Alexandre et al. (Ed.). Bíblia de Estudo Palavras Chave: Hebraico-Grego. 4ª Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2009.

o   HAUBECK, Wilfrid; VON SIEBENTHAL, Heinrich. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego: Mateus - Apocalipse. São Paulo, SP: Targumim, Hagnos, 2009.

o   REGA, Lourenço Stelio; BERGMANN, Johannes. Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental. 1ª Ed São Paulo, SP: Vida Nova, 2004.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Lição 3: O comportamento dos salvos em Cristo (Subsídio Exegético); Por: Cleiton Medeiros


Lição 3: O comportamento dos salvos em Cristo (Subsídio Exegético)
 


 
Somente portai-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho;
Filipenses 1.27
Ἀξίως (axiôs)
 
A palavra destacada no texto tem peculiar importância no contexto em que se encontra; quando falamos de contexto, aqui, nos referimos a todo o conteúdo da epístola destinada aos filipenses. Para começarmos a exegese do advérbio “ἀξίως” (axiôs), utilizado pelo Enviado (ou Apóstolo) Paulo,  é bom mencionar o adjetivo “ἄξιος” (áxios) e o verbo “ἀξιόω” (axioô). O termo grego traduzido pela ARC como “dignamente” é adjetivo derivado da raiz “ἄγ-” (ag- de ἄγω: ágô) que se refere à orientação, direção, educação, formação; “ἄγω” (ágô) também está relacionado ao tempo, à medida e ao peso; à medicação; conservação e; condução.
Muito bem, vamos ao que interessa. Esse adjetivo significa literalmente: que contrabalança (igualmente pesado), equipolente (que tem igual poder), equiponderante (que tem peso igual), equivalente (que tem igual valor), equilibrado. Em sentido absoluto: que tem valor, precioso, digno, merecedor (cf Lc 12.48 – ideia de equivalência, algo que venha a equivaler castigo). Significa também, conveniente (cf I Co 16.4 – ideia de equilíbrio em contraste com o desequilíbrio, desarmonia), considerar digno, fazer digno, considerar apropriado, dignamente. O termo pode ser utilizado tanto em um bom sentido quanto num mal sentido (Mt 10.13; Lc 23.15).
Observe algumas passagens em que ocorre o uso dessa palavra: Mt 3.8; 10.11, 37; Lc 15.19; Jo 1.27 (traduzida na ACF por “digno”); Rm 8.18 traduzido como “comparar” (ACF); Nas passagens citadas dos quatro homens que escreveram os relatos do evangelho de Jesus Cristo, percebemos a necessidade de contrabalanceamento de uma das partes envolvidas. Isso significa que não temos a mesma medida, o mesmo peso, a mesma “idade”, a mesma educação (no sentido pleno da realidade espiritual) que Jesus. Verficamos ainda a ocorrência da palavra estudada em Rm 8.18 , onde “as aflições deste tempo” não contrabalanceiam, nem contrabalancearão, ou não tem o mesmo poder nem o terá “com a glória que em nós há de ser revelada”; nunca tais aflições terão o mesmo peso da glória prometida.
No entanto, podemos atingir o equilíbrio por meio de Deus, que pode nos tornar dignos (II Ts 1.11); portando-nos “conforme o evangelho de Cristo” (1.27) e; a oração de nossos irmãos, também, nos ajuda, quando pedem que sejamos “cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus” para que “vivamos de maneira digna do Senhor” (Cl 1.9,10). É dessa maneira que somos contrabalanceados, orientados, guiados, educados; que atingimos o equilíbrio, o poder, o valor necessários a uma vida de harmonia com Deus. Atentemos para a imagem de uma balança de dois pratos. Tal balança tem que ter peso, poder e medida iguais em ambos os lados. Nossas vidas, a maneira de nos portarmos, deve ser assim, como uma balança, equilibrada.

Ir. Cleiton Medeiros
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Referências Bibliográficas:
LUZ, Waldir Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2003.
GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento. São Paulo, SP: Vida Nova, 2007.
RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. 4ª ed. São Paulo, Sp: Paulus, 2011.
VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JUNIOR, William. Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 1ª ed. brasileira Rio de Janeiro, Rj: Cpad, 2002.
NVI.Bíblia: Nova Versão Internacional. São Paulo, SP: Vida, 2000.
SOARES, Alexandre et al. (Ed.). Bíblia de Estudo Palavras Chave: Hebraico-Grego. 4ª Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2009.
ACF, Disponível em: < http://www.bibliaonline.com.br/acf/>. Acesso em: 16 de jul. 2013.
 



sábado, 13 de julho de 2013

Lição 2: Esperança em meio à diversidade (Subsídio Exegético); Por: Cleiton Medeiros


Lição 2: Esperança em meio à diversidade (Subsídio Exegético)


 

Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.

Filipenses 1.4

Κέρδος (kerdos)

A palavra grega traduzida para o português por lucro é “κέρδος” (kerdos), cognata do verbo “κερδαίνω” (kerdainô). Antes de discorremos sobre a palavra aqui destacada, é bom observar, pelo menos, mais duas palavras, dentre outras, que traduzimos para o nosso idioma como “lucro”. São elas: “ἐργασία” (ergasia) e πορισμός (porismós) que significam, sucessivamente, trabalho ou ganho pelo trabalho e provisão ou meio de ganho. A palavra destacada na carta aos filipenses, “κέρδος” e seu cognato, significa literalmente lucro, ganho, vantagem, ganhar alguma coisa (cf Mt 16.26; 25.17,20,22; Lc 9.25), obter lucro, fazer por lucro, ter lucro (cf Tg 4.13); Num sentido metafórico pode se referir a ganhar pessoas (Mt 18.15; I Pe 3.1) e  até mesmo a Cristo (Fp 3.8). O termo “kέρδος” ocorre por três vezes (Fp 1.21; 3.8; Tt 1.11) e “κερδαίνω” por dezesseis vezes em todo o NT. Na epístola de Paulo a Tito, pelo menos nas versões ARC e ARA, está traduzida como “ganância”, em um contexto em que Paulo traz a luz homens, cretenses, que visam vantagens naquilo que faz.

Para o enviado (ou apóstolo, como queiram) Paulo, morrer era mais vantajoso do que viver. Paulo no capítulo 3, versículo 8 desta carta, afirma considerar tudo como “perda”, ele usa exatamente o antônimo de “κέρδος”, o termo “ζημία” (zêmia) que significa perda, desvantagem. Façamos uma breve exegese dessa passagem bíblica: “por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (ARA), Paulo expressou a causa que lhe faz abrir mão de todas as coisas; continua “por amor do qual perdi (ζημιώθην – zemiôten: sofri perda ou desvantagem) todas as coisas e considero como refugo (σκύβαλα – skybala: refugo, esterco, fezes, comida podre, lixo), para ganhar (κέρδος) a Cristo”.

O enviado não via vantagem em mais nada, somente em Cristo se tem vantagem, o resto é desvantagem.
Por que focar na expressão vantagem e não lucro? Porque muitos irmãos (não sei se o são de fato) servem ao Senhor (ou seria melhor dizer ao próprio ventre) visando vantagens. Alguns descaradamente enriquecem com a pregação do evangelho sem a mínima consideração por aqueles que passam fome em suas sinagogas - digo porque já vi irmãos pedindo esmolas em semáforo; outros estão preocupados com títulos, posições, “seus” ministérios e, até, passam por cima dos outros; são capazes de roubar funções, autorias, ministérios, etc. para se destacarem, para conseguirem reconhecimento, para obter vantagens, mas um homem cheio do Espírito Santo, guiado por Deus, só vê vantagem se conseguir a Cristo Jesus; ele não visa riquezas como as que foram citadas aqui, não procura seus próprios interesses egoístas; ele está disposto a abrir mão de tudo para ter Cristo.
 
Jesus é o nosso maior tesouro.

Como afirmam Coenen e Brown (2000), “ganhar a cristo é o sumo bem definitivo”.

 
Ir. Cleiton Medeiros


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Referências:

COENEN, Lothar; BROWN, Colin (Org.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento Grego. 2ªSão Paulo, SP: Vida Nova, 2000. 2v.

LUZ, Waldir Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2003.

GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento. São Paulo, SP: Vida Nova, 2007.

RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento. 4ª ed. São Paulo, Sp: Paulus, 2011.

VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JUNIOR, William. Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 1ª ed. brasileira Rio de Janeiro, Rj: Cpad, 2002.

sábado, 6 de julho de 2013

Lição 1: Paulo e a Igreja em Filipos (Subsídio Exegético); Por Cleiton Medeiros


Lição 1: Paulo e a Igreja em Filipos (Subsídio Exegético)

 

A paz do Senhor, irmãos!

 

Neste trimestre iremos discorrer sobre a epístola aos filipenses e nela perceberemos a necessidade, como irmãos em Cristo Jesus, de um relacionamento saudável com o Senhor e com os santos. Hoje iremos abordar duas palavras em grego que se refere à oração e como a atitude de oração pode fortalecer nossos laços.

Fazendo sempre, em todas as minhas orações, súplicas por todos vós com alegria

Filipenses 1.4

 

Δέομαι (deomai)

 As palavras traduzidas por oração e súplicas no versículo supracitado, no grego, são a mesma “δεήσει” (deêsei) plural de “δεήσις” (deêsis) e derivação de “δέομαι” (deomai). Essa palavra significa: perguntar, pedir, implorar, rogar e, no versículo citado, denota pedidos, petições. Sem muitas delongas, a palavra grega usada aqui se refere a uma oração que pede. Paulo como um dos servos de Jesus Cristo, cuja responsabilidade envolve “a defesa e a afirmação do evangelho” (Fp 1.7 – Bíblia de Jerusalém), entende a necessidade do cuidado com as almas as quais foram alcançados pela mensagem do evangelho. Sabendo que a saúde da igreja também depende de sua postura, o enviado (ὁ ἀπόστολος: o apóstolo), se coloca em oração em favor de seus irmãos em Cristo. O que há de interessante aqui é que na prática de Paulo existe algo que muitos líderes abandonaram, a intercessão. Muitos assumem igrejas, almejam estarem à frente de uma congregação, mas não cultivam uma vida de oração. Quando passam a presidir uma assembleia continua orando, mas só por si mesmos, não oram por suas congregações, não oram pelas necessidades da congregação, não pedem, não rogam intensamente pela necessidade da igreja. Como pregador Paulo demonstrava seu compromisso em sua preocupação com o ensino no versículo 9, quando ora. Vejamos:

 

E isto peço em oração: que o vosso amor aumente mais e mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento,

                                                                                Filipenses 1.9

 

No relacionamento entre o guia e a igreja, o homem de Deus tem que estar disposto a investir tempo no ensino e na oração. Um grande exemplo é o profeta Samuel “E quanto a mim, longe de mim esteja o pecar contra o Senhor, deixando de orar por vos; eu vos ensinarei o caminho bom e direito.” (I Samuel 12.23)

 

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Referências:

COENEN, Lothar; BROWN, Colin (Org.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento Grego. 2ªSão Paulo, SP: Vida Nova, 2000. 2v.

LUZ, Waldir Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo, Sp: Cultura Cristã, 2003.